Igreja como sinal visível da graça, misericórida e libertação que Deus nos proporciona em Cristo.

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Igreja como sinal visível da graça, misericórida e libertação que Deus nos proporciona em Cristo.

Assim entendo igreja, tanto bíblica, como teológica e até mesmo na prática do plantio de igrejas.

Citando meu irmão, Ronaldo Lidório, falando sobre metodologia na platanção de igrejas: Observando os diversos segmentos de plantação de igrejas no mundo atual, podemos perceber que o enraizamento dos problemas mais comuns em tais processos está ligado a alguns fatores, sobre os quais escrevo a seguir:

1. A dificuldade de se distinguir igreja e templo, perdendo o valor do discipulado e gerando mais investimento na estrutura do que em pessoas;
2. A demora na introdução dos novos convertidos na vida diária da igreja, diluindo o valor da comunhão e integração além de gerar crentes imaturos, sem funções, desafios ou envolvimento;
3. A despreocupação com os fundamentos teológicos e atração pelos mecanismos pragmáticos (ênfase no que funciona ou está em voga);
4. A ausência de sensibilidade social e cultural, pregando um evangelho sem sentido para o contexto receptor. Uma mensagem alienada da realidade da vida.
5. A excessiva pressa no plantio de igrejas, gerando comunidades superficiais na Palavra e abrindo oportunidades reais para o sincretismo ou nominalismo.
6. O excessivo envolvimento com a estrutura da missão ou da igreja desgastando pessoas, recursos e tempo, e minimizando o que deveria ser o maior e mais amplo investimento: a proclamação do evangelho.

É difícil para nós realmente separarmos a igreja do templo, pois ainda constumamos dizer que vamos à igreja quando vamos ao templo e será sempre assim… penso. Mas não é somente o templo que representa a igreja. A imagem ideal da igreja, a meu ver, lendo a Palavra de Deus tem a ver com o corpo, os membros do corpo, o organismo vivo … o corpo de Cristo. Cristo vivo e o povo vivo e santificado no corpo de Cristo.

Não vou entender unicamente templo como igreja; não vou entender unicamente instituição como igreja; não vou entender unicamente normatização e formatação como igreja – sempre vou entender como igreja o povo, as pessoas, cada um e todo mundo junto, reunido, separado, vivendo a vida, em meio ao trabalho, em meio ao culto, em meio a tudo que o Senhor nos proporciona.  Isso não quer dizer que igreja não possa ter templo, ser uma instituição ou mesmo ter normas, mas que isso não faz a igreja… isso, templo, instituição, normas, regras etc pertencem a igreja e não o contrário.

A experiência que estamos repetindo aqui em Londrina é algo que vai além da compreensão muitas vezes … quantas vezes saímos da reunião da igreja, povo, ministração, louvor, adoração, compartilhar e usamos a expressão: ainda não fui a igreja hoje, após termos saído de uma reunião que é igreja … temos buscado o Senhor em meio a nossa vida comum e ordinária. Nos reunimos para celebrar a vida e junto com essa vida sentimos Deus se manifestar e aparecer em nosso meio diante de um abraço, um toque, uma palavra, um sorriso, a Bíblia compartilhada, cânticos cantados e vivemos dias de graça e misericórdia; não é tudo um mar de rosas, nem quero passar esta imagem que é falsa. Temos problemas? Claro. Existem dificuldades, dúvidas no rosto de quase todos, dificuldades em relacionar o que temos visto com o estudo diligente da palavra de Deus, que é viva e eficaz para separar em nós juntas e medulas, conceitos e conceituações, é como um martelo que despedaça a pedra… pedra em que estamos muitas vezes firmado… mas pedra essa que substitui algumas vezes a Rocha por uma sólida instituição.

Entendo que toda estrutura, forma ou qualquer outra coisa que surja deve vir como resposta da necessidade, da demanda, e não a estrutura vir antes das demandas, necessidades ou perguntas. Temos sempre a mania de querer responder antes que sejam feitas as perguntas. Como professor, pastor ou plantador de igrejas, muito do que faço são perguntas … levanto as questões e muitos estão acostumados com isso e começam a pensar por si mesmo, sabendo que o contato com Deus não prioriza mais um intermediário humano, seja um pastor, um sacerdote ou mesmo um mentor espiritual.

Acredito que socialmente precisamos de estruturas e essas estruturas, templo, instituição, normas, não serão mal em si mesmas se forem incorporadas a partir das respostas as perguntas, algumas delas:

1. O que é igreja?
2. Qual o propósito de Deus em nos fazer igreja?
3. Como Jesus lidou com a igreja?
4. Como as estrutura surgiram?
5. Porque normas são necessárias?
6. Quando aplicar estas normas?

Entendo que precisamos da ‘organização’ das coisas, Deus não é um Deus de desordem, mas de ordem, a própria criação do universo segue este princípio básico. Tudo tem o seu lugar, ordenado, colocado e tem uma serventia muito própria, mas na própria criação, Deus não dá ordem para que apareçam estruturas sem que suas bases sejam fundadas anteriormente: primeiro ele ordenou a luz no meio do caos – depois criou o sol, lua e estrelas. Não colocou o carro na frente dos bois, mas fez o caminho da necessidade primeiro. Ele não ordenou que os animais existissem antes de ter criado a base para a sobrevivência deles; ele não criou o ser humano, no primeiro dia criativo, pois não havia nada que pudesse suportar a sua vida… ar, sol, água, terra, alimentos… ele providencia primeiro a base, a base necessária para o aparecimento do ser humano, do homem, da mulher e somente depois cria, no último dia, no sexto dia, quando tudo já estava ali, pronto para recebe-los.

Entendo que o corpo de Cristo chamado igreja é da mesma forma criada por Deus, ele é quem constrói sua igreja e não nós. Para que essa igreja seja viva e funcional é necessário ter a base, embasamento, onde podem ser construídas muitas coisas.

Creio que o principal é entendermos que os sonhos de Deus pressupõe que sejamos um só corpo, feito de gente de todo jeito, que pensa igual ou diferente, mas que sobretudo suporta o outro dando condições para que se floresça.

Porém, tudo isso sem engessamentos, sem um molde tão formal que não seja dinâmico e possa ser adaptado, mudando, contextualizado sempre que houver necessidades.

Toda vez que colocamos o modelo antes das pessoas pecamos e nos tornamos uma igreja que não é relevante nem para a vida dela mesma nem mesmo para outros que estão de “fora” tentando ver Deus em meio a um caos na vida.

A figura da igreja de Laodicéia no livro do Apocalipse é tremendamente impactante. A igreja era uma igreja excelente, com um culto maravilhoso, com tudo que podia ter na sua estrutura… achava que estava com tudo pois cuidava de tudo que era necessário para que funcionasse, mas o texto nos diz que essa igreja deixou a coisa principal para trás… o relacionamento pessoal com Jesus… ele estava do lado de fora, batendo na porta, tentando entrar para estar com ele, mas parece que para a igreja de Laodicéia Jesus não era mais necessário… eles já tinham a estrutura e o substituiram.

Que Deus nos ajude a valoriza a pessoalidade do relaciamento com Jesus, mesmo em meio às nossas estruturas.

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