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	<title>Arquivos Lucas - Auriciene e Gedeon Lidório</title>
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	<title>Arquivos Lucas - Auriciene e Gedeon Lidório</title>
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		<title>Lucas 6</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gedeon Lidorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 06:00:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Lucas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>27 Eu, porém, vos digo, a vós que me escutais: amais os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, 28 bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam. 29 A quem te ferir numa face, oferece a outra; a quem te arrebatar o manto, não recuses a túnica. 30 Dá&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>27 Eu, porém, vos digo, a vós que me escutais: amais os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, 28 bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam. 29 A quem te ferir numa face, oferece a outra; a quem te arrebatar o manto, não recuses a túnica. 30 Dá a quem te pedir e não reclames de quem tom<span class="text_exposed_show">ar o que é teu. 31 Como quereis que os outros vos façam, fazem também a eles. 32 Se ameis os que vos amam, que graça alcanceis? Pois até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. 33 E se fazeis o bem aos que vo-lo fazem, que graça alcanceis? Até mesmos os pecadores agem assim! 34 E se emprestai àqueles de quem esperais receber, que graça alcanceis? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores para receberem o equivalente. 35 Muito pelo contrário, amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e com os maus. 36 Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados. Perdoai, e vos será perdoado. 38 Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também.</span><span id="more-72"></span></p>


<p class="wp-block-paragraph">Podemos assumir como que tradicionalmente Lucas como o escritor desse livro. Ele era um médico, amigo e companheiro de Paulo, que empreende com ele viagens missionárias e que resolve fazer uma investigação acurada dos acontecimentos que aconteceram na ocasião da vida de Jesus e narra, de forma meticulosa, e com o propósito de instruir, o seu Evangelho. Provavelmente o ano é 63 d.C, Paulo encontra-se preso em Cesareia e Lucas tem então, nos dois anos de prisão do apóstolo, tempo o suficiente para investigar, utilizando para isso fontes outras que não apenas a narração de alguns conhecidos. É bem possível que ele tenha utilizado o evangelho de Marcos para dar base á sua narração. Ele endereça o seu escrito ao excelentíssimo Teófilo, talvez um alto funcionário do governo a quem ele deseja instruir de fatos ou aumentar o conhecimento do mesmo a respeito de Jesus. É nos difícil estabelecer o lugar vivencial do momento de nossa perícope (Lucas 6.27-39), mas Jesus e seus discípulos encontram-se em movimentação, e Lucas apresenta um resumo do que Jesus ensina durante muito tempo – resumo este com o objetivo de instruir normativamente (quem sabe eticamente!) utilizando para isso muito dos escritos do Antigo Testamento, para basear-se na autoridade do que era escritura até então.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus e seus discípulos estavam caminhando, indo da Galileia até Jerusalém, e estão aqui perto de Cafarnaum. A Galileia é o reduto da pobreza, da discriminação, dos salteadores, pois é rota de comércio e Jesus utiliza-se da própria vida e exemplos dos seus discípulos para estabelecer os critérios do seu ensino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida religiosa em Israel era completamente sectária fazendo com que muitos inimigos aparecessem e tratassem os habitantes das cidades onde Jesus passava e ensinava em pessoas discriminadas e oprimidas. Daniel-Rops nos informa que muitos habitantes da Galileia estavam endividados e vendiam suas propriedades para pagar suas dívidas. (Daniel-Rops, São Paulo, p. 37). O historiador Wander de Lara Proença nos informa que a nata religiosa de Israel no tempo de Jesus, os saduceus, fariseus e escribas, eram possuidores de muitas destas terras, provavelmente por falta de pagamento dos altos impostos do templo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus então não estava apenas querendo ensinar o povo algo que ficava distante dele, mas sim fazê-lo ver que a vida diária possuía necessidades e estas precisavam ser medidas pelo amor e não pelos interesses. Essa mensagem de Jesus retrata um amor que vale a pena, um amor que não exige nem pede nada em troca, mas se entrega.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor é o tema central da perícope (Lucas 6.27-39) e Lucas parece desejar fazer com que Teófilo entenda o amor além do interesse, o amor que age em favor de outro e não apenas espera receber o bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus, ao olhar para a multidão vê um povo sofrido, oprimido pelos seus credores, muitos quem sabe tendo perdido túnicas, mantos, casas, filhos, terrenos em dívidas, mas ele não subverte a situação ou transforma o contexto, mas ele exerce o seu poder de ensino para mostrar aos seus discípulos que é necessário viver com Deus, amando como ele, no meio de toda essa dificuldade e miséria. Miséria é justamente o termo que faz surgir a ação graciosa de Deus, dando misericórdia para ingratos e maus e sem esperar recompensas ou troca &#8211; quem está na miséria não tem o que oferecer de volta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Jesus fala para os seus discípulos ele não está simplesmente estabelecendo um critério difícil demais, mas está invertendo os valores estabelecidos pela própria religiosidade da época. O rico, o poderoso, o forte, são imagens fortes para o &#8216;modus vivendis&#8217; do contexto em que se encontrava, mas ele mostra que a riqueza, o poder, a força muitas vezes são apenas camadas da atuação do mal, onde os ricos, poderosos e fortes oprimem, maltratam, injuriam, caluniam, difamam aqueles sobre os quais desejam exercer influência ou controle. Mesmo o pobre, que tem menos acaba por fazer &#8211; quando em posição de poder &#8211; o mesmo que o rico (é só lembrar da parábola do credor incompassivo para termos a exata noção disso).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amor que Jesus prega é excelente, pois não se baseia no que pode receber em troca, mas no que faz consigo mesmo &#8211; ou seja, em QUEM AMA – a recompensa pelo amor dado é transformação o discípulo em filho do Altíssimo e também a graça superabundante de Deus será derramada sobre aquele que ama, não apenas como o que empresta para receber igual, mas algo recalcado, sacudido, transbordante, que produz alegria e contentamento além do entendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus ensina que a graça de Deus sobre aqueles que amam produzem melhores resultados que o recebimento imediato dos bens que podem nos oferecer em troca de nosso amor . É nessa condição que o discípulo de Cristo é levado por ele a amar além da medida; a entregar em favor do outro, mesmo que não receba de imediato o que tanto queremos (quem ama quer ser amado!), mas é mister saber e reconhecer que em muitas situações não teremos recompensas no amor do ponto de vista puramente humano, mas cresceremos recebendo e conhecendo mais do amor de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, é mais fácil entender que AMOR para Jesus não é um sentimento que se tem, com pensamentos românticos sobre a vida, mas uma ATITUDE de ir em direção ao outro, de amar INCONDICIONALMENTE e podemos pensar que isso é POSSÍVEL, mesmo que dificil, pois a inversão de valores é que nos faz pensar que amor assim só existe em Deus . Deus mesmo nos dá condições de amar assim, pois facilitou todo o processo e colocou em nós o seu Espírito Santo que vem pra FRUTIFICAR através de nós, tornando-nos canais de seu próprio amor e atuação misericordiosa &#8211; podemos amar , pois Deus mesmo, em Cristo, através do Espírito Santo em nós frutifica com o seu amor .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa completa inversão de valores que Cristo propõe é uma atuação direta na cultura e sociedade da época, mostrando que a religiosidade apenas consegue repetir fórmulas, ritos e cerimônias (eventos, festas, tradições), mas que a verdadeira espiritualidade tem a ver com a condição de nos jogarmos na vida de amor pelo outro, pelo igual, mas também e principalmente amor pelo diferente, pelo que está afastado, pelo que precisa ser resgatado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amar como Cristo amou é proporcionar em nós terreno fértil o suficiente para Deus amar através de nós .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os discípulos de Jesus, vivendo num contexto onde a dor e o sofrimento pela pobreza, pelos maus tratos, pelos salteadores, por altos impostos, por impostos duplicados e tantas outras formas de opressão ouvindo as palavras de Jesus devem ter ficado com a pulga atrás da orelha, e como alguns expressaram mais tarde, achando duro demais o discurso de Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida hoje não difere em sua essência da vida nos tempos de Jesus – o ser humano decaído continua caído e vive muitas vezes conflitos que são em muito semelhantes aos daquele época. Os valores continuam invertidos e muitas vezes eles são simplesmente colocados de lado ou até mesmo cria-se novos valores para a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paul Tournier, em seu livro Mitos e Neuroses diz: “assim como se pode por os valores ‘entre parênteses’ e viver como se não existissem, também se pode adotar novos valores, fabricar os próprios valores” e então “a minha liberdade é o único fundamento dos valores e nada, absolutamente nada, justifica que eu adote um determinado valor, esta ou aquela escala de valores… E a minha liberdade me angustia por ser o fundamento sem fundamento dos valores” (Tournier, 2002, p. 32).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos em meio a uma cultura hedonista onde tudo precisa resultar em ganhos significativos – é preciso trazer: fama, conhecimento, riqueza, bem estar pessoal, satisfação de desejos etc. Culturalmente definido é a não perseverança ante situações de risco ou mesmo um desânimo completo a partir da necessidade de perseverar. Encontramos na palavra perseverança uma barreira para a continuidade – no grego a palavra ( que é proskartereo ) “significa dar continuidade a uma ação após intenso esforço” &#8211; não indica uma ação óbvia mas é uma temática de permanecer (ou perseverar) a todo e qualquer custo. A perseverança que gera um desconforto ou mesmo uma necessidade de permanência em um determinado pensamento ou posicionamento é rechaçada como antiquada, fora de propósito ou mesmo uma interpretação errônea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vemos então que mais do que nunca precisamos das palavras de Jesus, pois como diz Gabriele Greggersen “… o principal objetivo da educação é ensinar as virtudes (especialmente a prudência) a este ser ‘esquecente’, que é o homem, pois as mesmas não são inatas, mas adquiridas pela educação e experiência” (Greggersen, 2001, p. 89) e assim ensinar a nós e aos outros as verdades que Jesus muito profunda e sabiamente nos ensinou em através do relato de Lucas e assim promover uma transformação de nossas vidas, igrejas, comunidades e cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, o evangelho, as palavras de Jesus e suas ações práticas em direção ao outro, com amor que não reinvidica para si ganhos, mas assume-me ganhador pelo próprio amor demonstrado e vivido são tão atuais e necessárias hoje como sempre o foram e serão enquanto estivermos nessa realidade.</p>
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