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Voe passarinho, voe

Voe passarinho, voe

Quantas vezes desejamos que alguém sussurre pra nós: voe passarinho, voe! Porque mascaramos a verdade sobre nossas escolhas?

Escolhas

Tenho pensando bastante em escolhas ultimamente, fiz até um post algumas semanas atrás sobre isso, não há como “esgotar” o assunto, então continua ainda meu processo interno de pensar nas escolhas que fazemos.

Estes últimos dias estou “tentando” entender porque dizemos certas frases que são vazias de significado, como: “não há o que fazer” (quando nos deparamos com uma situação em que precisamos decidir e a não decisão já é uma decisão) ou mesmo “não há o que falar” (quando nos deparamos com uma situação em que precisamos opinar e a falta de “opinião” já é uma demonstração do que realmente sentimos).

Estas duas frases tem ecoado dentro da minha mente e me feito pensar em muita coisa, porém o que me vem a mente mais rapidamente é que elas significam muito mais do que está se falando. Há um “significado por trás destas palavras” e é isso que tem me incomodado.

Não escolher é uma escolha

Quando digo que “não há o que fazer” na verdade estou fazendo uma escolha, (mesmo diante da inevitabilidade da morte lutamos todo dia para não chegar lá…). Essa escolha que fazemos reflete uma vontade em não mudar a situação em que nos encontramos (mesmo que dissermos que somos infelizes nela). Não seria muito mais honesto se apenas admitíssemos isso? Ao invés de dizer “não há o que fazer” disséssemos: posso fazer, mas não quero fazer nada com isso e assim admitiríamos que nossa vontade interna, nossos desejos ou mesmo sonhos de mudança são na verdade apenas ilusões e passatempos. O problema é que muitas vezes sabemos que se formos assim tão sinceros perderemos convívios que com a “incerteza” (será que acontecerá um dia???) queremos manter perto de nós. As vezes preferimos pessoas sofrendo perto de nós, sem lhes darmos as certezas ou convicções ou mesmo esperanças de uma mudança em nós ou em nossa situação, de um crescimento do que sermos realmente sinceros e abrir mão do “controle” da vida do outro, porque na verdade, parece que quando mantemos as coisas assim estamos pensando no nosso bem e na nossa necessidade, ao invés de objetivamente pensar no bem do outro.

Sempre há o que fazer ou falar

A outra frase, “não há o que falar” é também enigmática e de duplo sentido. Sempre há o que falar, mas isentar de dar para o outro sua fala, suas impressões, quando há um “pedido”, uma “necessidade” é na verdade dizer: eu não quero (expressa desejo) falar sobre isso com você, esse é um problema só seu (mesmo que envolva-nos em relação a outra pessoa, afinal não somos ilha …). Quando digo isso estou apenas “desprezando” o outro ou ainda minha relação com o outro, não dando a devida importância para as necessidades do outro e portanto dizendo que não o amo suficientemente para poder participar das suas indagações, necessidades ou dores.

Parece nisso haver uma ditadura do “outro”. Às vezes alguém me pergunta porque é que devemos pensar assim tanto no outro, fazendo o que deve ser feito, ou sendo aberto para falar que não queremos (não temos o desejo) de realizar ou falar o que deve ser falado (ou abrirmos o jogo e dizer que não há um desejo em conversar), porque também não podemos pensar em nós mesmos?

Claro que podemos e devemos pensar em nós mesmos e o único jeito de evitarmos este tipo de coisa é, antes de entrarmos numa situação em que sabemos (Sim!! Sabemos!!) que se exigirá de nós um posicionamento, uma escolha, não o façamos. Não basta o arrependimento, pois o arrependimento não muda o passado ou o presente. Entrar em situações assim, ver o caminho que se segue e deixar que outros se envolvam em nossa vida ao ponto de sentirem-se parte dela e ficarmos negando a nós mesmos para o outro e mantendo tudo sobre o controle da minha vontade não é amor, é falta de afeto.

Não viver esperando que alguém se dê 100% aos projetos de vida que executamos é o esperado quando damos apenas 30% de nosso empenho.

Espere do outro apenas aquilo que você mesmo tem condições de dar. Se você tem condições de dar 100%, então espere tudo também, mas saiba que nem sempre os outros escolheram entregar 100% de suas energias para fazer tudo dar certo. Espere também nesse processo muita frustração, decepção, mas se há disposição continue e ame, ame como sabe amar, entregue como sabe entregar e se possível não espere mais nada, não tenha expectativas, apenas ame do jeito que esse outro seja feliz com as escolhas que fez.

No processo de crescimento e amadurecimento das relações humanas, creio que chega uma hora em que amar é deixar o outro livre.

Ao deixar o “passarinho” livre corremos o risco de o perdermos ou até mesmo corre-se o risco de vê-lo novamente entrando em sua gaiola, onde viveu aprisionado e tem medo de viver do lado de fora.

Vá passarinho, voe para onde realmente deseja, mesmo que seja novamente para dentro de sua gaiola de ouro.