Romanos: evangelho segundo Paulo
31 de março de 2009
Currículo e Formação
31 de março de 2009
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Teologia da oração

Para uma maior comunhão com Deus através do seu Espírito

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus  é que ele intercede pelos santos. Paulo aos Romanos, capítulo 8, versos 26 e 27,

 

Deus nos criou e nos redimiu para que possamos manter um relacionamento de comunhão com ele e a oração é uma parte importante do nosso relacionamento. Mais importante do que as questões místicas da oração, dos méritos da oração, do que deve pertencer ou não à oração; precisamos entender é que Deus mesmo, aquele que se coloca em nosso corpo através do Espírito Santo e abre nossa mente e nosso coração para entendermos a sua Palavra e, portanto entendermos sua vontade é que ORA conosco, ou seja, ele mesmo coloca transforma nossa mente e nosso coração para agirmos de uma maneira melhor para nós, porque não sabemos orar como convém.

v.26 – assiste – “a palavra grega sunantilambanetai é muito forte. O Espírito mesmo agüenta e leva o nosso fardo por nós, fardo esse que nos debilita e nos deixa sem forças”.

Fraquezas – deveria estar traduzido no plural e isso nos diz que o que nos debilita é algo muito grande, que vai além de nossas forças e Deus o sabe.

não sabemos orar como convém – Paulo simplesmente quer dizer que somos como que cegos quando oramos a Deus, visto que, embora aliviados de nossos males (fraquezas) nossas mentes se acham tão perturbadas e confusas em fazer a escolha certa do que nos convém ou do que necessitamos.

Intercedegemidos inexprimíveis… – comumente imaginamos o Espírito de Deus ao terminarmos de orar olhando para Deus e dizendo: olha, não foi bem isso que ele pediu ou ainda o Espírito gemendo e chorando por nós como um suplicante bem humilde. Isso está bem longe da verdade – o que o texto quer dizer é que:

1. inexprimíveis são os “gemidos que irrompem de dentro de nós ao impulso do Espírito” (Calvino: Romanos, pg 291) Santo de Deus de forma que ele prescreve as nossas orações o que vai além do nosso entendimento. Na verdade, então, os gemidos inexprimíveis são nossos, motivados e conduzidos pelo Espírito que habita em nós, que conduz nossa oração de forma a agir com discernimento e assim poder expressar aquilo que verdadeiramente vai chegar ao ouvido do Senhor de forma inteligente.

2. intercede – o Espírito “inspira nossos corações para que façamos orações que são próprias para nos achegarmos a Deus” e não simplesmente é um suplicante que ora em nosso lugar; sendo assim, ele “afeta de tal forma os nossos corações que essas orações tem condições de penetrar os céus” e chegar aos ouvidos do Senhor.

v.27 – aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito – “O fato de Deus nos ouvir quando oramos através do seu Espírito é uma notável razão para confirmar nossa confiança, pois ele pessoalmente está intimamente familiarizado como nossas orações, como se fossem os pensamentos de seu próprio Espírito

sondar – não significa que Deus toma conhecimento de alguma coisa que lhe é nova, nem mesmo rejeita como se fossem irracionais, mas antes os reconhece e ao mesmo tempo os recebe bondosamente porque lhe são muito conhecidos (ele conhece a mente do Espírito e sabe discernir em nossos desejos e mentes aquilo que foi impresso em nós pelo gemer e interceder do Espírito Santo!).

Isso significa literalmente que “nossas orações, as quais ele regula, não serão de forma alguma frustadas” e a razão disso é justamente o que encontramos na frase: segundo a vontade de Deus, ou seja ao proceder nos inspirando, intercedendo e gemendo em nosso interior, para nos mostrar qual é a maneira pela qual devemos orar, ele nos conforma à vontade do Senhor.

Aprendemos, assim como Jesus, que a primeira parte da Oração, “consiste-se em consentir na vontade do Senhor e que de forma alguma é forçada pelos nossos desejos”.

“Devemos, pois, rogar a Deus que regule nossas orações de conformidade com sua vontade, caso o nosso desejo seja que ele aceite”.

“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como nos céus…” (Jesus orando inspirado pelo Espírito ao Pai – Mt 6.9-10).

Para entendermos melhor, lanço mão de uma história bíblica passada com Jesus, a ressurreição de seu amigo Lázaro. Vejamos

João 11.1-45

v.1 – estava enfermo – Lázaro estava doente e chegaria a morrer se não fosse uma intervenção milagrosa de Deus;

v.3 – Marta e Maria “oram” (mandam falar com Jesus) (v. 3) pedindo que ele viesse curar o seu irmão enfermo – Jesus porém não vai.

v.4 – Jesus expressa a vontade de Deus a respeito do caso – glorificar o nome de Jesus.

v.14 – Lázaro morre. A oração da família e do povo de Deus a respeito de sua cura fora negada por Deus.

v.16 – Tomé também “ora” – dizendo que deveriam ir para morrer com Jesus.

v. 21, 22 – Marta ora novamente e fala com Jesus que ele pode fazer alguma coisa por Lázaro (porém vemos mais tarde que ela não tem nem idéia do que seria isso).

v.32 – Maria também faz a mesma oração de Marta – inquirindo Jesus porque ele não veio curar seu irmão.

v.39 – Jesus manda tirar a pedra e Marta retruca dizendo que Jesus não sabe o que faz, pois o morto já se decompôs e cheira mal.

v.40 – Jesus ora segundo a vontade de Deus (Deus queria que a morte de Lázaro glorificasse o seu filho Jesus) – sempre me ouves – essa é a expressão de orar através do Espírito Santo de Deus, uma oração que sempre vai ter um SIM como resposta.

v.44 – Lázaro ressuscita – Deus ouve a oração de Jesus e traz a vida quem estivera morto.

Podemos dizer de forma categórica que nenhuma oração que for feita por nós, segundo a vontade de Deus, ou seja, inspirada e prescrita pelo Espírito Santo de Deus terá um NÃO como resposta – ao mesmo tempo que posso também, baseado em tudo isso, afirmar que nenhuma oração terá um SIM como resposta se for uma oração que tiver como fundo o nosso desejo, por melhor que ele seja – razão esta porque muitas orações tem não como resposta, porque a oração não se baseou na perfeita e agradável vontade de Deus.

Que a teologia da oração segundo a vontade de Deus nos ajude a ter mais comunhão com ele mesmo.
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Publicado na coluna semanal “Teologia para sobreviventes” no site www.irmaos.com