Avivamento e Missões
29 de março de 2009
Pare um pouco e ouça o Senhor!
29 de março de 2009
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O que esperamos nós?

“… fui até Kitampo procurar uma aldeia para nos instalarmos
e encontrei um povo ‘pronto para a ceifa’.”

Estas palavras que estão escritas em uma das cartas circulares de Ronaldo e Rossana Lidório, missionários no noroeste africano, no país de Ghana, entre os Konkombas, me fizeram pensar profundamente.

Deus está para fazer uma obra inimaginável – por nós, é lógico! – em nossa geração. Ele está com pressa e passa pelo mundo derramando o seu poder, como foi profetizado pelo profeta Joel: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda carne…”

Esta pequena palavra depois colocada neste texto, dá o tom de final dos tempos e certamente é isto que o Senhor está dizendo: que neste final, nesta hora chegada, o ‘kairos’ (tempo oportuno – tempo que regia o Olimpo) de Deus, ele está derramando o seu poder sobre toda carne, para concretizar o seu plano eterno: o resgate de almas do império das trevas para o Reino da Luz de seu Filho Jesus!

Na África, onde Ronaldo e Rossana trabalham, o espírito está lhes mostrando esta realidade: um povo “com os corações abertos, decepcionados com Satanás, amedrontados com a guerra e à espera de Deus. Aleluia!”

A promessa feita pelo Senhor através de Joel, porém, traz condições: “…todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” e como Paulo eu concluo que para invocar faz-se necessário conhecer; para conhecer é necessário que haja pregação e para haver pregação, logicamente, alguém tem que ser enviado…

É aí que entra o grande problema – saímos da simplicidade de Deus (“todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”) e entramos na complexidade humana – conhecer, pregar, enviar… quando o enviar depende da disposição humana tudo parece perdido aos nossos olhos!

Estive falando em algumas Igrejas nestes últimos dias e refleti sobre o valor que damos às almas dos homens. “Uma alma vale mais que o mundo inteiro”, dizemos… Entretanto, se olharmos o quando é gasto em meio às Igrejas com o objetivo de – muitas vezes – satisfazer nossas “necessidades”, como melhores instalações, templos novos, sistemas de som que cumpram seus objetivos, novas maneiras de mostrarmos ao mundo que somos “prósperos” porque somos fiéis etc… Não sei se sabemos o verdadeiro sentido do termo: “Uma alma vale mais do que o mundo inteiro”.

Dando uma olhada, informalmente, em uma estatística de um amigo da Missão Novas Tribos, vi que a receita anual da Igreja Evangélica mundial perfaz o montante de 2,5 trilhões de dólares (1995). Alguém poderia responder onde é que todo este dinheiro é empregado, mas posso fazer uma vaga idéia!

E as almas que valem mais que o mundo inteiro?

O mundo tem hoje cerca de 100 milhões de jovens evangélicos (1995). Apenas 100.000 deles seriam necessário para alcançarmos os 12.000 grupos ainda intocados pelo Evangelho no mundo, na base de 8,3 missionários para cada grupo. Isto representaria apenas um décimo de um por cento do total; ou seja, 1 jovem em cada 1.000.

Há cerca de 5 milhões (1995) de congregações evangélicas espalhadas pelo planeta e se cada uma delas resolvesse adotar um povo para orar, sustentar e enviar missionários, seriam 416 congregações para cada povo na terra ainda não alcançado; ou seja, 416 congregações sustentando 8,3 missionários, o que daria um total de 52 congregações para CADA missionário no campo.

O fato, porém, permanece inalterado: Deus está com pressa!! E graças a ele, o chamar, capacitar, sustentar, direcionar e tudo o mais é executado através de sua graças e no seu poder e determinação e se ele está com pressa eu não vou discutir, pois, sei que uma obra há de ser feita no meio da Igreja, porque só assim é que homens e mulheres darão menos valor às suas próprias vidas e irão levantar-se e ir, e ficar, e enviar, e orar, e sustentar, e se envolver…

Num presente recebido por Ronaldo entre os “Tyniis”, grupo étnico Konkomba, há uma inscrição que diz:

“Aa nin san” – “vocês são bem-vindos”

O que esperamos nós?

Artigo publicado no Jornal Fronteiras – O Desafio Transcultural – Ano 2 – nº 8 – Abril/Junho/94
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