Por uma teologia da morte no casamento
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12 de setembro de 2019
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Nada é realmente tão simples assim

Nada é realmente tão simples assim

Esta é uma expressão que me intriga, sempre. Parece simples, mas na verdade nunca é. Nada é realmente tão “simples assim”.

Já notaram que a usamos para falar de coisa que realmente não são simples assim?

“A política verdadeira é esta! Simples assim!” Não existe nada simples em política.

“O verdadeiro evangelho é este! Simples assim!” Não existe nada de simples no evangelho.

“O verdadeiro sistema teológico é este! Simples assim!” Não existe nada de simples nos sistemas teológicos.

A frase, porém, que me chamou mais atenção foi: “Levante-se daí, saia dessa depressão, basta orar que Deus responde. Simples assim!”

A depressão (ou qualquer outro transtorno/condição mental/humana) nunca é algo simples. Há intrincados caminhos surreais que passam pela vivência, pela mente, pelo corpo, pela alma, caminhos estes que deturpam a visão da vida, anuvia os contornos das coisas e obscurece o dia mais claro.

Faço a mim mesmo sempre uma pergunta: porque queremos que as coisas sejam “simples assim”?

Temos muito medo de enfrentar as nossas idiossincrasias; temos muito medo de nos encontrar com o espelho e ver nossa alma; temos muito medo de olhar de verdade para dentro de nós, então a utopia da simplicidade toma conta, como uma fuga, um refúgio, uma viagem.

Nada é tão simples assim né?!