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Interpretar a Bíblia em meu contexto

Interpretar a Bíblia em meu contexto

É interessante ler Rollo May. No seu livro “O homem a procura de si mesmo” ele destaca algo que me fez pensar sobre como é que deixamos um grande legado da Reforma Protestante se perder que é interpretar a Bíblia em meu contexto

A Reforma, dentre outras coisas, colocou a Bíblia na mão do povo, com o intuito claro de retirar a tradição eclesiástica seguida até então de que a Palavra de Deus só podia ser interpretada por sábios doutores da igreja e que o povo era ignorante demais para ler a mesma.

Rollo May, ligando a Reforma Protestante com a Renascença diz: “O protestantismo, por exemplo, que foi o aspecto religioso da revolução cultural iniciada na Renascença, expressava o novo individualismo, dando destaque aos direitos de cada um e à capacidade para encontrar a própria verdade religiosa“.

A Bíblia na mão dos entendidos

Acho muito interessante como, depois de 500 anos, nos esquecemos disso e “retiramos” a Bíblia da mão do povo novamente, tendo líderes religiosos “sábios” que ditam o que deve e o que não deve ser interpretado do texto Bíblico que se aplica a nossa vida não deixando que o sujeito, livre pela própria Verdade (Jesus) tenha em si mesmo a “capacidade” de ler, interpretar e chegar às suas próprias conclusões. Esse sujeito livre pela Verdade tem também dentro de si também o próprio Deus (Espírito Santo) que o habilita a ler e entender, compreender e interpretar, seguir e chegar às suas próprias conclusões.

Mas isso é perigoso demais para os líderes religiosos de hoje, pois se for assim, perde-se o controle sobre as pessoas.

Fazendo discípulos de quem?

Fazer discípulos hoje não é mais apresentar uma pessoa a Cristo, que deseja ardentemente relacionar-se com este ser humano e deixá-los depois de um tempo sozinhos, para que desenvolvam este relacionamento, mas fazer discípulos é transformar o pensamento do outro num pensamento fechado, empacotado, limitado e gananciosamente rentável, criando um Jesus empresário, rico, abastado, cheio de convicções místicas, quase um feiticeiro que cumpre nossa vontade e nos faz ser prósperos.

Deixar que Cristo e o seu Espírito guiem e orientem este discípulo, depois de apresentados ao sujeito não é possível, pois existem muitos atravessamentos doutrinários e teológicos que prendem a nossa ação e nos transforma em líderes que querem pessoas à nossa imagem e semelhança.

Acabamos por trocar o ensino bíblico, coisa que devemos fazer SEMPRE pelo ensino de fábulas e contos da carochinha.

Ensinar a Palavra e ver que alguns “aderem” ao seu modo de pensar é uma lógica do MENTORIAMENTO, da formação de LÍDERES, pois isso devemos mesmo fazer e é assim que caminhamos com um “grupo de pessoas”. Estes líderes irão pensar concordemente, irão ter a “mesma mentalidade” e objetivos. Isso é algo saudável dentro de qualquer “organização”. O que não é saudável é não deixar que a pessoa que está sob o seu cuidado tenha seu próprio desenvolvimento e possa, necessariamente, não pensar do mesmo jeito que você em relação à sua própria vida de fé.

Ensinar a Palavra de Deus, expondo-a, e deixar que o Espírito Santo faça o resto com quem ouviu é pedir demais para os santos ensinadores da religião.

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