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Escatologia missiológica: uma breve análise do pensamento de Jesus sobre escatologia e missões (3)

Quais implicações esta visão de que o reino de Deus há de se manifestar a partir da ação de Deus em nos usar para a evangelização mundial e que o alcance de todas as nações com o Evangelho estabelece o princípio de Deus mesmo para que a volta do Senhor ocorra?

Não sei quanto a vocês, mas a mim traz imenso constrangimento e uma responsabilidade como nunca sentiria com nada mais em meu ministério.

Gostaria de, a partir dos pressupostos lançados pelos dois textos anteriores, pinçar algumas diretrizes que penso serem bíblicas, olhando principalmente para o texto do Novo Testamento, especialmente para a segunda carta de Pedro, no capítulo 3, versículos dez a treze. Vejamos:

Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor – O versículo 10 inicia com a expressão “ virá” mostrando a certeza do apóstolo desta volta (aqui ele refere-se a Parousia ou a segunda vinda de Jesus); de acordo com Pedro esta certeza deve fazer com que tenhamos uma vida diferente, uma vida que faça diferença onde estamos. O fato, porém, é que a maioria de nós parece indiferente quanto a este assunto, pois, nos preocupamos muito mais com nossa própria zona de conforto, a construção de tudo o que precisamos (mesmo que nem precisemos tanto…) do que com aquilo que parece ser a finalização da vontade de Deus na restauração de toda a criação que foi sujeita ao pecado por causa de nossos primeiros pais: a volta de Cristo!

Outra afirmação que deve fazer-nos pensar é que tudo que existe passará por uma transformação (o conceito é quase uma re-criação de Deus de tudo o que foi afetado pelo pecado); o universo como hoje conhecemos não mais existirá e por isso, não faz sentido algum pensar nas coisas que devemos o apego ao que é “deste mundo”, ou desta época. A época passará e tudo se fará novo! Todas as coisas serão transformadas e atingidas pelo ato re-criador de Jesus, que entregará para Deus, novos céus e nova terra ainda mais perfeitos que o paraíso antes da queda.

Estamos construindo o que afinal? Nossos edifícios nas igrejas, nossas casas extraordinariamente caras, todo o aparato de conforto parece dizer para nós e para todo o universo que queremos estabelecer nosso próprio céu. A construção daquilo que é eterno passa justamente no envolvimento que necessitamos ter com aquilo que Cristo está construindo e que ao final será o alvo de sua re-criação.

Pedro nos exorta que gastemos nosso tempo com a ETERNIDADE e não com coisas que hão de ser desfeitas. Ele nos diz claramente que a única coisa que durará eternamente e da qual podemos cuidar é justamente nosso relacionamento com Deus.

Pedro então, baseado neste princípio nos exorta a vivermos em santo procedimento e piedade.

No versículo 11 ele diz: “Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade”.  Já que tudo é temporal e nada escapará de ser transformado por Jesus, inclusive nós mesmos, devemos viver em santidade de vida, tendo o mesmo propósito de Deus que é a redenção que executa a partir dos seus decretos, mandamentos e ações centradas na cruz de Cristo.

Olhando para o que Paulo também nos diz sobre isso, em outro contexto e visão, vemos que ele menciona duas categorias de obras que teremos em nossas mãos aos nos apresentar a Deus. Vejamos I Coríntios 3.10-15.

No versículo 12 ele diz: “se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha” e está claro que ele separa nossas obras nestas categorias: o que permanecerá e o que desaparecerá.

Existem, de acordo com o que lemos no texto algumas obras que se garantem ante o fogo – que não se consomem, antes são purificadas e é a categoria de OURO, PRATA E PEDRAS PRECIOSAS.

Outras, entretanto, não se garantem ante o fogo – são sumariamente consumidas e desaparecem e são:  MADEIRA, FENO E PALHA.

No versículo 13 Paulo então conclui que: “qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará”, ou seja, quando vivemos uma vida fútil, sem que nada possa ser aproveitado pelo Senhor, quando comparecermos diante dele, nossas obras passarão pelo crivo do fogo que irá provar cada um de nós.

Em 2 Coríntios 5.10 Paulo diz que todos nós iremos comparecer perante Cristo para dar conta de todo o mal que tivermos feito por meio do nosso corpo e aqui, novamente, a palavra traduzida por mal dá o sentido de “coisa inútil”.

O que iremos querer apresentar para Deus nesse dia? Que tipo de obra em nossas mãos? Penso que ter em suas próprias mãos ouro, prata e pedras preciosas para apresentar a Deus é justamente estar envolvido com aquilo que ele mesmo está fazendo: a construção do seu Reino a partir da cruz de Cristo.

Voltando para o texto de Pedro, no versículo 14 deste mesmo capítulo 3 há algumas pistas para entendermos que rumo nossa vida deve tomar para que vivamos em santidade.

Devemos ser achados em paz – ter paz uns com os outros é uma maneira de viver em santidade; possuir paz com Deus é o que garante que nossa vida foi redimida por ele.

Outra coisa é que devemos viver sem que nosso caráter seja manchado por nenhuma circunstância difícil – devemos ser sem mácula.

O fato de Pedro instruir que devemos ser irrepreensíveis não deve trazer confusão, pensando que ele está a referir-se sobre um nível de perfeição que nunca alcançaremos, mas sim que não deve existir nada em nossa vida que causa qualquer tipo de repreensão: mesmo os pecados que temos, ao tratarmos deles abertamente, com sinceridade em nosso coração não será ponto para acusação.

Se hoje fosse o dia da sua volta, haveria Deus de nos encontrar em paz e irrepreensíveis?

Desta forma Pedro então chega no ponto que ele centraliza neste assunto: o fato de que toda a criação espera este dia (da volta de Cristo) com ansiedade, com grande expectativa:  2 Pedro 3:7; o que Paulo também o afirma em Romanos 8:19 e 22.

E nós esperamos a vinda do Senhor ou esperamos que ele não venha logo?

A maneira como você e eu vivemos mostra com o que eu me importo. Um grande amigo meu, o Prof. Jorge Barro, da FTSA, diz sempre em suas aulas: “mostre-me como você vive que te direi qual é a sua teologia”, justamente objetando que a maneira como vivemos mostra claramente como é nossa crença e nossa fé em Cristo.

Minha casa, meu carro, meu emprego, meu futuro casamento, meus estudos, minha vida na sociedade, meu dinheiro…

Estamos preocupados com o Cristo está construindo ou com o que nós estamos construindo?

De acordo com Pedro só deve haver um pensamento em nossas vidas, em nossa espera do dia de Deus: devemos viver de maneira que apressemos o dia da volta de Jesus.

A pregação do Evangelho ao mundo todo é o anúncio que o fim está próximo. Um avivamento que leve a igreja a pregar e testemunhar entre todos os povos é o anúncio de que o fim está próximo.

Só aqueles que vivem em SANTO PROCEDIMENTO e PIEDADE, que OBEDECEM ao Senhor, que estão em PAZ, não tem MÁCULAS e são IRREPREENSÍVEIS, só estes é que farão o dia do Senhor chegar mais cedo, porque empenharão suas VIDAS, a de seus FILHOS, seus BENS, sua SAÚDE, seus SONHOS, seu DINHEIRO, sua CARREIRA – ou seja – entregarão TUDO o que tem para que as nações ouçam do evangelho de Cristo, homens e mulheres comprados pelo sangue do Cordeiro sejam resgatados, a Igreja seja totalmente EDIFICADA pelo Senhor e só assim então, olhar para o alto e ver o Senhor descer para nos buscar.

Estes comparecerão perante o trono do Senhor, com as cabeças erguidas, com as mãos cheias e com o coração repleto de louvor, para depositar aos seus pés toda a Glória que somente a ele pertence.

Estes olharão para os lados, e verão homens e mulheres de todas as tribos, raças, povos e línguas da terra, homens e mulheres que ele amou, chorou por elas, orou para que se encontrassem com Deus, enviou missionários para o meio dos mais distantes e enfim, foi o instrumento de Deus no seu resgate, na sua redenção, pelo Sangue do Cordeiro, no Poder do Espírito Santo para a Glória de Deus!

Soli Deo Gloria!
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Publicado na coluna semanal “Teologia para sobreviventes” no site www.irmaos.com