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Dúvidas e certezas (Tiago 1.2-8)

Dúvidas e certezas (Tiago 1.2-8)

Tenho pensado muito nestas duas questões: dúvidas e certezas (Tiago 1.2-8) e gostaria de ‘pensar’ um pouco mais, trazendo a Bíblia para me ajudar a entender melhor estas questões.

Tenho dúvidas… Isso quer dizer que sou instável? Isso quer dizer que estou em pecado?

Também tenho certezas… Isso quer dizer que sei tudo? Isso quer dizer que não tenho dúvidas?

Um texto da Bíblia que me faz recordar sempre sobre isso é o de Tiago, capítulo 1. Nesse capítulo o escritor está falando sobre lutas e aflições e é justamente nesta hora, das lutas e aflições, que as perguntas vêm e nos questionamos – às vezes também questionamos a Deus – das razões de tudo isso que está acontecendo conosco.

Falo aqui de maneira vivencial, não penso que minhas aflições ou lutas são maiores ou menores que de ninguém, mas especialmente nesta hora em que escrevo estou com a mente, coração e alma cheios de luta e aflições. Quero pensar nestes versos neste momento justamente para tentar obter o alívio que vem de Deus.

O texto

Tiago diz assim:

“Amigos, quando lutas e aflições os atingirem em cheio, saibam que isso é um presente especial”.

Como assim presente especial? Lutas e aflições são problemas, então se são presentes, parecem ser presentes de grego. Enxergar as lutas e aflições como presente requer um entendimento completo do que Tiago está falando.

“Vocês verão como a fé será fortalecida e como terão forças para continuar até o fim”.

A fé, no caso da vivência humana em meio à vida, é fortalecida com as lutas e aflições? Creio que não, pois o versículo fala que a fé será o ‘objeto’ que nos dará forças para continuar até o fim. O fortalecimento não é da fé, em si, mas nosso, de cada um de nós que passa por lutas e aflições e continuar perseverando com fé – e fé, para lembrar o que o livro de Hebreus fala é CERTEZA. Certeza do que não se vê ainda, convicção de fatos que não podemos ainda ‘pegar em nossas mãos’. A fé vê o invisível, pois enxerga algo no meio da vida que faz toda diferença, que é a presença de Deus conosco. Ele é o objeto da fé e não a solução dos problemas.

Quando nos deixamos agir com fé, em Deus, e perseveramos, ou seja, continuamos a caminhar mesmo que as circunstâncias se mostrem completamente contrárias ao trajeto que seguimos e conseguimos continuar, chegaremos ao fim. Fim de que? Creio que aqui é o fim das lutas e aflições. Atingiremos os objetivos dessa caminhada específica e teremos no fim da estrada proposta um fim para a luta, para a aflição que teima em vir até nós. Posso entender com o texto que não há uma referência escatológica futurística, do ‘fim’ como o fim da continuidade do tempo ou ‘fim dos dias’ ou do ‘tempo’, mas sim, também, uma asseverarção sobre o fim daquilo que nos atormenta.

Ele ainda diz o seguinte: “Por isso (referência ao fim das lutas e aflições, para aqueles que caminham com fé em Deus), não desistam facilmente”.

Parece que aquele que desiste porque a luta e a aflição são forte demais para suportar, não chegará ao fim, ou seja, não será beneficiado com a concretização do seu objetivo.
“Essa perseverança os ajudará a amadurecer e a desenvolver plenamente o caráter de vocês”.

Às vezes escuto pessoas falando ou escrevendo que a finalidade de luta ou aflição é moldar nosso caráter, mas tenho que discordar. O que molda o nosso caráter é justamente a perseverança em meio às lutas e aflições. Com a perseverança conseguiremos chegar ao fim, à finalidade que nos propusemos ao nos dispor a enfrentar essa luta específica, essa aflição. O desenvolvimento de nossa vida, amadurecimento, tem a ver com o saber lidar com aquilo que chega até nós. Perseverar, com fé, em situações de dificuldade nos ajuda a moldar nosso caráter. Não as dores, lutas ou aflições. Isso seria sadismo ou talvez um terrível sadomasoquismo.

Nesta hora é que as dúvidas vêm e quando vem é hora de entendermos corretamente as situações, pois se a dúvida substitui a fé (certeza), com certeza desistiremos. Nesse momento então é hora de pedir ajuda.

“Se vocês não souberem lidar com a situação por falta de sabedoria, orem ao Pai. É com muita alegria que ele os ajudará! Vocês serão atendidos e não ignorados quando pedirem ajuda”.

As dúvidas vêm e quando vierem devemos ir até Deus, que nos dará sabedoria para entender o caminho que andamos e nos dará junto com isso convicção, certeza de que estará conosco e nos abençoa com sua presença, nos fazendo perseverar. Quando então o Pai nos dá sabedoria, para entender que devemos ainda caminhar, seguir em frente, confiar plenamente nele que sabe o que faz então as dúvidas se dissipam.

“Tenham toda coragem ao pedir e acreditem de verdade, sem pensar duas vezes. Os que duvidam quando oram são como as ondas do mar, levadas pelo vento. Não pensem que essa gente conseguirá receber alguma coisa do Senhor, pois nunca tomam uma atitude e sempre duvidam de tudo”.

Aí está a grande questão: a dúvida não está na base do que está acontecendo, ou seja, dúvida sobre a luta e aflição, mas parece que o texto está dizendo que a dúvida aqui é contra Deus – ou seja, parece que o ato de pedir e não acreditar que Deus dará sabedoria para agir em meio às lutas é que é essa condição que nos faz ser levados pelo vento e se não cremos que Deus pode nos dar sabedoria para passar por este tempo de luta e aflição, realmente não receberemos nada de Deus.

Inevitável

As lutas e aflições sempre virão, são inevitáveis, não podemos escolher passar ou não passar por elas, elas nos atravessam. Podemos sim escolher não duvidar de Deus e de que ele nos dá sabedoria para agir – “tomar uma atitude”. Essa atitude tem a ver com a luta, com a aflição. Essa atitude é de continuar perseverando, de continuar caminhando, de saber que nossa mente, coração e alma ainda estão doloridos, machucados, tristes, amuados, mas Deus está aí, conosco e pedir sabedoria para agir em meio a tudo isso é uma certeza que podemos ter, pois Deus sempre fará isso conosco.

Não se preocupe com as dúvidas vivenciais que tem ao longo do caminho, mas se preocupe se essas dúvidas forem direcionadas a Deus, não crendo que ele estará conosco e que nos dará sabedoria para agir e tomar atitudes, sem vacilar.

Estas lutas que passo hoje, atingem de cheio a minha alma, mas decidi crer que Deus me dará sabedoria (na verdade tem me dado!) para saber o que fazer, para saber como agir, para saber como manter fortalecida minha vida e chegar naquele lugar que é o alvo da perseverança nessa hora: a concretização desta descoberta maravilhosa que Deus colocou em minha vida e quando lá estiver, quando lá eu chegar, poderei olhar pra trás e saberei, com certeza, sem dúvida, que a presença do Senhor e a sabedoria que veio dele foram o fator primordial para a perseverança, até chegar ao fim (finalidade) que desde o início se mostra forte aos meus olhos.

Não vou duvidar de Deus. Vou crer, com essa fé que é certeza e convicção, que as lutas e aflições passarão e que um novo dia raiará sobre mim.

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