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Aucas: o sucesso do fracasso

Um dia de sol como outro qualquer, não fosse pelas pessoas que estavam reunidas em “Praia das Palmeiras”, um banco de areia ao longo do Rio Curaray no Equador, em território Auca – tribo hostil para com estranhos que invadem suas terras.

O pastor da tribo, por nome Kimo e a cerimônia que ali se realizava – um batismo – também passariam por comuns, visto ser rotina nas igrejas serem batizadas pessoas; esse, porém, não era um batismo comum. Kino era um Auca e os jovens que ali estavam sendo batizados chamavam-se Steve e Nathy Saint, filhos de Nate Saint, piloto de Asas de Socorro morto por Kimo – o pastor – e outros Aucas, numa investida de medo, engano e desespero por parte dos nativos para com os estrangeiros que tentavam encontrá-los para evangelizar.

Anos haviam se passado desde a morte de Nate Saint e seus amigos – Jim, Pete, Ed e Roger, ali mesmo em Praia das Palmeiras, na tentativa fracassada de alcançar os Aucas, povo arredio que taxava todos os outros habitantes da terra como assassinos (assim como eles mesmos eram!); as vidas dos missionários, porém, não foram dadas em vão.

Rachel Saint, irmã de Nate, foi morar em Hacienda Ila, um sítio vizinho ao território Auca e lá, junto com Dayuma e mais duas mulheres Aucas fugitivas de uma guerra inter-tribal, começou a estudar a língua daquele povo tão arredio. Nesse meio tempo, foi que eu irmão e mais quatro missionários foram mortos; ao invés perder o estímulo, Rachel olhou a “oportunidade de justificar os esforços infrutíferos do irmão” com intenso desejo e determinação e se dispôs a realizar o que lhe fosse possível para alcançar aquele povo.

Duas mulheres Aucas, vindas do meio da floresta vieram morar com Elizabeth Elliot, uma das viúvas, o que muito ajudou no progresso lingüistico. Depois de intensivamente estudarem a língua, estas mulheres juntamente com Dayuma foram mata adentro, até o seu povo, com promessas de retornarem mais tarde; apareceram mesmo mais tarde em Arajuno, na casa de Marj Saint, viúva de Nate.

Numa tirada histórica e num empreendimento tremendo e de grande confronto de poderes espirituais, Rachel e Elizabeth fizeram suas malas e partiram para se encontrarem com os Aucas e durante quase dois meses viveram em meio àquele povo pacificamente. Anos de estudo lingüístico se seguiram e algum tempo depois, sob a orientação de Dayuma, os Aucas construíram uma pista de pouso onde Asas de Socorro aterrizou e pela primeira vez na história, homens brancos e homens da tribo Auca encontravam-se pacificamente, através dos esforços diligentes das mulheres de ambos os lados.

A lingüística era extremamente importante, bem como a pista e os encontros face a face com os Aucas, mas todo o trabalho, as mortes e o esforço só foi compensado quando os homens daquela tribo começaram a aceitar Cristo. Entre eles, estavam seis que foram os protagonistas do massacre dos missionários no banco de areia no Rio Curaray; estes, as converterem-se, contaram do medo que sentiam dos homens brancos matá-los para comer. O credo de Jim Elliot ainda parece ecoar pelos vales e montanhas daquela região:

“Aquele que dá o que não pode guardar, para ganhar o que não pode perder, não é tolo”

Artigo publicado no Jornal Fronteiras – O Desafio Transcultural – Ano 2 – nº 5 – Julho/93
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