Obras da carne versus fruto do Espírito (3)
31 de março de 2009
Acesso à graça e a graça do acesso (2)
31 de março de 2009
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Acesso à graça e a graça do acesso (1)

“Agora que fomos declarados justos por Deus, por causa da fé, podemos ter tranqüilidade de consciência por causa de Jesus, pois, foi por causa dele que temos acesso a este tipo de vida cheia de graça e é por causa desta graça de Deus que nos mantemos firmes e, assim, confiantes e alegres esperamos ansiosos pela transformação que Deus faz e fará em nós” Romanos 5 (tradução livre do autor).

A salvação parece ser desenvolvida por Deus através das provações e isto é algo que não passa corretamente pelos nossos sentimentos, pois em meio aos sofrimentos e provações perdemos grande parte de nossa percepção – o que dirá da nossa teologia, pois o que queremos é ser confortados pela “prosperidade” que gasta nossos ouvidos e corações com movimentos sensacionalistas, onde parece ser tudo permitido, desde que resulte em glória para mim mesmo.

Assim eu pergunto: porque Deus perde tempo conosco? Porque o Senhor gasta do seu poder e tempo com vidas como a minha e a sua? Sou salvo! E daí?! O que fazemos com isso? Que é a salvação de verdade? Apenas uma libertação de nossas almas? Por que muitos de nós se encontram sempre entristecidos e parece que dando apenas passos para trás? Por que parece que as dificuldades são sempre repetidas e nunca vão embora? O que a salvação – que é algo que Jesus já fez e pagou todo o preço na cruz – tem a ver com minhas provações e meus sofrimentos?

Gostaria de tecer algumas pistas que podem nos ajudar a entender um pouco mais sobre nossa salvação e como é que Deus desenvolve isso em nós.

No v.1 (Romanos 5) o autor utiliza a palavra justificados que tem o significado literal de ser declarado sem culpa, transformados em justos. Saibamos, porém, que:

a. Foi Deus que nos declarou justificados (justos, sem culpa); 

b. Essa declaração não dependeu de nós (foi feita no passado, na cruz); 

c. Foi realizada por meio de Jesus (encarnação, morte e ressurreição completam o quadro de Deus sobre isso); 

d. Foi trazida a nós pela fé em Cristo (e por meio de Cristo!)

O termo aqui enfatiza que Cristo imputou (essa palavra técnica na teologia quer dizer que ele colocou sobre nós) uma justiça que não temos e disse para Deus “está tudo certo” em relação ao fato de sermos pecadores condenados. Cristo, ao imputar esta justiça (do seu sangue) não nos isenta do pecado, mas, sim,paga o preço pelos nossos pecados, tornando-se maldito em nosso lugar e assim aplicando a justiça que pede a morte do pecador sobre si mesmo; ele, mesmo sem pecado, toma nosso lugar para morrer nossa morte para que vivamos sua vida.

Essa imputação de justiça é algo que é feito em nós e não que nós fazemos ou determinamos com nossos atos – antes, Paulo afirma categoricamente que Jesus“foi entregue por causa de nossas transgressões (4.25). Éramos transgressores (transgredir a lei de Deus em um só ato nos torna culpados de todos) e aqueles que transgridem precisam pagar o preço pelos seus erros – Cristo morreu e ressuscitou justamente para fazer isso por nós – nos JUSTIFICAR, imputar, colocar sobre nós uma justiça que não tínhamos (mas que ele tem!).

Essa justificação foi mediante a fé, ou seja, é procedente da fé. Ora, se procede da fé tem relação com alguma obra que faço? É algo que eu tenho e que dou pra Deus? O que é a fé que justifica? Como ela se dá em nós?

Os crentes de Éfeso estavam com esta dúvida e Paulo escreve para eles dizendo que a salvação é pela graça que procede da fé – mas explica concretamente: a fé é um DOM (“Pela graça sois salvos, mediante a fé e isso não vem de vós, é dom de Deus – Efésios 2.8) de Deus, e não vem de nós – assim como a justificação, que é algo feito pelo Senhor Jesus na cruz,  a fé, que é o instrumento pelo qual eu tomo posse da justificação me tornando salvo em Cristo Jesus, é um DOM. É Deus quem coloca em meu coração, não há merecimento – eu respondo à fé que ele coloca em meu coração, mas a glória é de Deus e não minha. Chegamos a Deus de mãos vazias, podemos e devemos estender nossas mãos vazias para receber de Deus esta fé que abre o caminho para a salvação – e isso é graça de Deus.

Paulo, em sua carta aos Romanos 11.6, diz: “Se é pela graça (falando da salvação), já não é pelas obras; do contrário a graça já não é graça”. Muito equivocadamente pensamos que a  que pode gerar a resposta SIM para Deus é algo que tenho e dou pra Deus e ainda objetamos que isso não é OBRA. Bem, se é meu e eu faço é obra. Se é obra não é graça e sem graça, pela fé, gerada por Deus em nosso coração, não há salvação.

A fé não é a causa da justificação, não é a fé que justifica e declara sem culpa – isso é Deus que faz – mas  ele usa a fé para trazer sobre nós esta graça. A fé, que é dom, presente imerecido, é o instrumento que Deus utiliza para gerar em nós esta declaração de que somos justos. 

a. A fé vem de Deus – é dom; 

b. É a resposta do ser humano (nossas mãos vazias) para Deus;

c. É o instrumento que Deus usa para nos fazer tomar posse da graça (ele nos dá o presente e enche nosso coração com seu amor e fé); 

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus, não de obras para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8,9)

Assim, mediante a fé temos paz com Deus – literalmente temos uma consciência tranqüila serena; paz de espírito.

Esse é o assunto da continuação deste artigo.
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Publicado na coluna semanal “Teologia para sobreviventes” no site www.irmaos.com