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A morte de uma igreja

A morte de uma igreja

Tenho visto vários “curtir” ou “comentários” e “compartilhamentos” no Face sobre a morte de uma igreja de diversos autores, “teólogos” e pastores e fico pensando algumas coisas interessantes sobre essa morte da igreja.

A afirmação está correta, creio eu, de que a morte de uma igreja está ligada ao fato de que esta não associa a doutrina com a vida, ou seja, cria um abismo entre a ortodoxia (corpo de coisas que se crê) e a ortopraxia (a prática na vida daquilo que se crê). Isso é a mais pura verdade.

O que me fez rir hoje de manhã foi pensar em QUAIS SÃO AS DOUTRINAS que esses caras que afirmam isso estão pensando, qual é o seu zelo doutrinário.

Conhecendo vários destes teólogos que afirmam esta verdade posso imaginar e citar algumas doutrinas que não estarão NUNCA na vida prática destes e de muitos outros e que anunciam a morte de uma igreja tanto quanto:

A GRAÇA. Talvez essa seja a principal doutrina em que a igreja despreze e que seja por causa dessa a sua morte.

A GRAÇA de Deus é o extrato da vida de qualquer pessoa.

Vejo líderes, pastores, teólogos, gente que quer falar sobre a PALAVRA DE DEUS, mas que são desprovidos do motivo maior de estarmos vivos: A GRAÇA DE DEUS.

Uma teologia boa não é uma teologia que APRISIONA pessoas, ao contrário, é uma teologia que LIBERTA. Jesus, ao afirmar que o conhecimento da VERDADE (ele é a verdade) iria libertar as pessoas com certeza não estava pensando no ZELO doutrinário, mas na GRAÇA DE DEUS.

Jesus zelava pela ‘doutrina’? Creio que sim, mas aí precisaremos entender que ‘doutrinas’ eram essas para ele.

Seguir religiosamente preceitos, leis e mandamentos foram substituídos por JESUS com o maior dos mandamentos: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO.

Nos dias de Jesus, ele ‘curava no sábado’ (foi recriminado pelos ‘teólogos’ da época, porque isso não era um zelo doutrinário e essa doutrina do sábado era a mais importante da época daquele judaísmo).

Jesus ‘colhia espigas de milho no sábado’ (novamente foi recriminado pelos ‘teólogos’ de plantão). Para os fariseus hipócritas (que mascaravam a vida depravada interna com sua religiosidade e práticas que chamavam de santidade) a lei e a doutrina eram mais importantes que a vida. Jesus mostrava, que como DEUS que era (e é!) que a vida é mais importante que a doutrina.

Jesus fez muita coisa que foi condenada pelos líderes religiosos de sua época: andou com prostitutas, comeu na casa de ladrões, caminhava com gente ruim de toda a espécie, numa clara demonstração do cumprimento da sua vinda à terra na encarnação: “eu vim para os doentes, pobres, excluídos. Os “são” não precisam de médico”.

Falar tudo o que Jesus fez que contrariou a vida e o pensamento dos ‘teólogos’ da sua época seria reeditar o evangelho… Não dá – podemos ler lá e aprender.

Hoje, porém, existem ‘seres humanos’, líderes, pastores, teólogos que realmente entendem que são mais entendidos da Palavra de Deus e da sua vontade do que o próprio Jesus e numa ‘reedição’ fraudulenta das palavras de Cristo incitam-nos a um zelo doutrinário farisaico, falso, hipócrita onde a DOUTRINA se torna mais importante que a VIDA e que entendem que a santidade é DEIXAR DE FAZER CERTAS COISAS ou FAZER CERTAS COISAS.

Santidade, entendo, é VIDA COM DEUS em intimidade apesar das minhas mazelas, dos meus pecados, das minhas idiossincrasias e da maneira como (igual a Paulo) eu não consigo ficar bem comigo mesmo quando o ‘bem que quero não faço e o mal que não quero é minha prática’ e aí, Deus vem para mim e me diz: “Eu sei meu filho, conheço o seu coração e vejo sua sinceridade, infelizmente a sua vida foi invadida pelo pecado, pela dor e pelo sofrimento, pelas faltas do passado que te marcaram e fizeram de você o que é hoje e sei, porque te conheço e te amo, te fiz, te salvei e me coloquei dentro de você, sei que essa luta que trava dentro de você é inglória e que vai cair, se machucar, se ferir, chorar e sofrer, mas não te abandono NUNCA e sempre renovarei sobre você a minha graça, porque a minha graça te basta”.

Ter a ideia de que SEGUIR a lei e os mandamentos ‘da igreja’ é viver uma vida piedosa é ser contrário à própria palavra onde Paulo aos Gálatas afirma claramente que viver na lei é DECAIR DA GRAÇA DE DEUS.

Somos seduzidos pela vida na lei, nos mandamentos, na ‘doutrina’ como se isso fosse a vontade de Deus para nós… Se fosse realmente, Cristo não teria vindo encarnado para ‘pagar’ o preço por tudo aquilo que nós nunca conseguiríamos pagar.

Não descanse na sua vida de pecado assim como também não deve descansar na sua vida de piedade falsa e hipócrita, condenando os outros pelas práticas que tem e mandando para o inferno aqueles a quem Deus salvou.

Viva uma vida de INTIMIDADE com Deus e dependa da graça dele, porque todo o resto é HUMANIZAÇÃO da religião e vai te levar na contramão do caminho de Deus.